Sobre o que escrever?
Tantas coisas tem me passado à mente ultimamente, não consigo definir qual parte da minha vida está mais fodida rs,
Mais um ano se passando, mais um ano terminando com aquele amargo gosto da solidão, tristeza e carência. Uma carência não necessariamente de carinho, mais sim de presença. Mais um Natal sem pai e mais um ano sem provar novamente aquilo que se chama amor. Nada nem parecido.
Talvez seja a minha falta de paciência, talvez seja a minha mente realista que me impossibilita de deixar as coisas fluírem, talvez seja meu signo que me impõe controle absoluto sobre todos os aspectos da minha vida. Vai saber né?
Eu estou quase chegando a conclusão de que amor é pra loucos, bobos e ignorantes; às vezes também atinge os distraídos. Pois não vejo maneira simples de sentir algo por alguém, nunca é simples, nunca é natural, pelo menos para mim. Eu vejo as mentiras disfarçadas de brincadeira, vejo os descuidos e os vacilos pela metade, sinto no ar o cheiro de enganação. Não penso que as pessoas fazem isso sempre de propósito, tem gente que pensa que uma mentira ou uma omissão machuquem menos que a verdade. Mas não, a verdade, por mais cruel que seja, por mais dura e violenta, a verdade é justa. Igual para todos e não engana nimguém. Quem se engana somos nós ao achar que mentiras duram para sempre ou que não fazem mal a ninguém.
Me sinto tão desconectado com o mundo que me cerca que passo parte dos meus dias imaginando e me indagando se estou seguindo o caminho certo, ou se é essa vida que eu quero pra mim, e a outra parte do meu dia, passo fazendo coisas que eu não gosto.
É impressionante como o trabalho me toma muita atenção e dedicação. Apesar de eu ter chegado em um ponto bom para o tipo de "carreira" que eu sigo agora, não me sinto contente e espero não fazer isso pelo resto da vida, mas nunca deixei de fazer meu serviço 100%. É algo que me intriga, como que alguém de mente inquieta, com valores não relacionados a dinheiro, com fome de vida, amante de viagens, consigo cumprir minhas funções plenamente e com um facilidade que poucos tem? Creio que a resposta está no dinheiro, na necessidade de prosperar na vida, na minha inquietação de querer estar sempre melhor e querer sempre ser o melhor em tudo que eu faço.
Isso me assusta. Será que eu consigo ser bom em outra "carreira"? Será que darei conta da minha faculdade e trabalho juntos? Não sei, espero que sim. Me vejo com outros olhos, diferente de como eu me via no mundo à quatros anos atrás. Sei dos meus defeitos e aprendi à conviver com eles. O mais importante, aprendi a ameniza-los, pelo menos em convivência com outras pessoas.
Algo curioso, mas que vem me consumindo por dentro nesses últimos meses é a morte dos sonhos. É a realização que entra ano e passa ano, e tudo o que você planejou para si mesmo, e para sua vida vai se tornando impossível com o passar do tempo. Já não serei piloto da Aeronáutica, já não me formarei com 23 anos, já não serei um jovem prodígio em alguma área de âmbito mundial (pois é, eu esperava muito de eu mesmo). Alguns anos atrás isso parecia tão fácil de ser alcançado, de ser conquistado. Não sei se me tornei medroso, com medo de correr atrás dos meus sonhos, ou se me veio a cabeça de que alguns sonhos não serão realizados. O que eu sei é que eu me tornei um sobrevivente, um sobrevivente realista. Às vezes realista demais até para o meu gosto.
Falando em sobrevivência, vou ficando por aqui hoje. Fazia tanto tempo que eu não escrevia, agora eu sei que devo escrever mais, passar minhas idéias pro papel e esquecer delas um pouco. Tirá-las da minha garganta e vomitá-las em um blog rs.
Abraço. Ente, sente-se e tome mais um gole. Até mais!
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