segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Conversa com um Fantasma.

(esse é pesado)

Oi, quanto tempo né?
Você continua linda, ainda mais linda do que na última vez em que a vi.
Como você está?
Sei que você é forte e não admitiria qualquer tipo de problema, ainda mais para mim. Ainda mais depois de tudo.
Mas não se preocupe, conversar contigo novamente já é mais do que eu poderia esperar. Não sei como nós chegamos a tal ponto.
Como eu queria te ver novamente, se passaram quase quatro anos.
Eu estou a mais tempo sem você do que o tempo em que eu te tive comigo.
Mas acho que tu jogou alguma magia, algum encantamento em mim. Não existe um sequer dia em que você não me visite.
Em momentos de confusão, em momentos de stress. Em dias que você demora, eu quase me vejo livre de seu fantasma.
Cheiros, nomes, lembranças, lugares.
Não sei se você nunca me deixou, ou se eu nunca consegui deixar você ir.
Imagino como a sua mente funciona agora, se ainda tens aquela mesma esperança, e aquela inocência de ver o melhor em tudo e em todos.
Você conseguiu enxergar o melhor em mim depois de tanto tempo e tantas magoas que eu lhe causei.
Ainda não encontrei alma mais pura e coração mais leve que o seu.
Imagino que eu não voltarei a encontrar.
O tempo passou tão rápido, e ao mesmo tempo tão devagar, tão torturador.
No começo eu pedia, implorava, para achar alguma solução, algum caminho que à trouxesse de volta.
Como você já bem sabe, não deu certo.
Depois eu tentei te esquecer, como se fosse fácil esquecer quem eu sou e o que eu era antes de ti.
Passamos tanto tempo juntos que eu nunca mais consegui separar o que sou "eu" e o que é "você" em mim.
Tive várias mulheres, inúmeras.
E por algum tempo foi bom, foi ótimo.
Ter a chance de conhecer novos sabores e desfrutar belezas exóticas e diferentes.
Naqueles momentos, eu pescava pensamentos e descobria intimidades, sei que devo ter compartilhado, mais do que recebido, é um defeito meu não acreditar nas pessoas e mesmo assim confia-las meus maiores temores logo de cara.
Talvez eu não consiga prender a atenção por muito tempo e tenha que mostrar que eu lutei muito para ser quem eu sou, e pelo resultado, parece que ainda não sou o bastante.
Você sempre soube disso, cuspiu isso na minha cara quando quis me afastar.
Imagino o que eu seria se tivesse conseguido mantê-la ao meu lado.

...

Você amou novamente, e parece que foi algo muito intenso. Foram 1 ou 2 anos?
Parece desimportante pra ti, afinal tomou com o outro "amor da sua vida" as mesmas medias que tomou comigo.
"Oblivion". - Esquecimento.
Dizem que sempre buscamos deixar um legado para trás para não sermos esquecidos.
A eternidade física parece estar longe de ser algo real.
Mas a eternidade ideológica, aquela que carrega nossos valores e nossas conquistas através do tempo existe desde os primórdios da nossa raça.
Pintávamos em cavernas e enterrávamos nossos mortos para que no futuro alguém pudesse olhar para trás e desvendar o sentido da vida que tínhamos.
E essa é a triste realidade em que continuamos a viver.
Só conseguimos entender o sentido das vidas que levamos, após vivê-las.
Talvez daqui a alguns anos, nossos descendentes consigam apontar os erros do passado e experimentar as consequências e as soluções deles.
Compartilho da mesma maldição.
Hoje enxergo meus erros perante à ti.
Queria saber se você me esqueceu.
Se eu habito em ti o mesmo espaço que a tua lembrança rouba de mim.
Queria saber se ainda toma atitudes, lembrando de mim, e buscando algum tipo de norte nas nossas lembranças. Coisa que eu faço quase todos os dias.
Gostaria de saber o que eu signifiquei pra ti e o que eu significo hoje. Se é que eu significo alguma coisa ao todo.
Desculpe pela minha baixa auto estima, sei que isso é broxante.
Mas meu pessimismo e meu humor não melhoraram nem um pouco depois de ti.
Pioraram junto com a minha bebida e companheira de todas as noites, a boa e velha nostalgia, safra 2011.
Imaginar o futuro que poderíamos ter tido é igual lembrar de tudo que fomos.
Ta certo que foram muitos momentos desagradáveis, desconfiança, traições, mentiras e intrigas.
Não absolvo culpa de nenhum dos meus pecados, e sei que você pode ter tido os teus, no quadro geral da filhadaputagem eu ganho em disparada.
Mas você, durante muito tempo segurou à barra e não me deixou de lado.

Tento não comparar as minhas mulheres à ti, até porque não foram minhas.
A única que foi minha, foi você.
Pensei que sempre seria.
Lembra que imaginávamos nossos filhos?
Nossa, como isso me dói. Como foi torturante escrever isso.
Lembra que você foi meu anjo?
Lembra que fizemos planos para o futuro?
Deus como eu trocaria tudo o que eu tenho de mais precioso para te ter em meus braços novamente.
Para voltar à aquele tempo em que só existia eu e você.
É a paz. A sua paz que me faz mais falta.
A tranquilidade de estar em seu abraço, num conforto reservado à poucos, com a tranquilidade de não temer o futuro, pois ali eu tinha toda a força do mundo.
Eu sei que é bem provável que você não acredite em mim, na minha redenção.
Sei também que não mereço qualquer tipo de catarse.
Nem sei se isso seria possível, não te conheço mais.
Você é um fantasma real.


Sempre tão feliz, sempre tão linda.
Com um encanto que poucas pessoas conseguem transmitir.
Um sorriso que cativa as pessoas e as deixam lisonjeadas de participar ou ser o motivo da sua alegria.
Você tem luz própria, eu só tive luz quando usei a sua.
Você foi, e sempre será o meu primeiro amor. Inegável.
Eu sinto tanto a sua falta, as vezes é tão forte que eu explodo palavras em um teclado de notebook as duas da manhã, achando que um dia você lerá aquelas palavras e me enxergará com outros olhos.
Com aqueles que me traziam tanta paz e conforto, os mesmos olhos onde eu podia sentir e experimentar o que o amor significa.
Como é? Como é amar outra pessoa?
Não sei se eu conseguiria sobreviver amar alguém da mesma forma que eu te amei.
Penso que nem quero.
A síndrome de abstinência já é quase insuportável.
Parece que me viciei gravemente em uma droga que não é mais fabricada, e existem poucos e raros outros estoques dela no mundo.
Continuo vagando a procura desse tal de "Amor 50mg".

Eu ainda não esqueci.












sábado, 26 de dezembro de 2015

Matando a Saudade.

Sobre o que escrever?
Tantas coisas tem me passado à mente ultimamente, não consigo definir qual parte da minha vida está mais fodida rs,
Mais um ano se passando, mais um ano terminando com aquele amargo gosto da solidão, tristeza e carência. Uma carência não necessariamente de carinho, mais sim de presença. Mais um Natal sem pai e mais um ano sem provar novamente aquilo que se chama amor. Nada nem parecido.
Talvez seja a minha falta de paciência, talvez seja a minha mente realista que me impossibilita de deixar as coisas fluírem, talvez seja meu signo que me impõe controle absoluto sobre todos os aspectos da minha vida. Vai saber né?
Eu estou quase chegando a conclusão de que amor é pra loucos, bobos e ignorantes; às vezes também atinge os distraídos. Pois não vejo maneira simples de sentir algo por alguém, nunca é simples, nunca é natural, pelo menos para mim. Eu vejo as mentiras disfarçadas de brincadeira, vejo os descuidos e os vacilos pela metade, sinto no ar o cheiro de enganação. Não penso que as pessoas fazem isso sempre de propósito, tem gente que pensa que uma mentira ou uma omissão machuquem menos que a verdade. Mas não, a verdade, por mais cruel que seja, por mais dura e violenta, a verdade é justa. Igual para todos e não engana nimguém. Quem se engana somos nós ao achar que mentiras duram para sempre ou que não fazem mal a ninguém.
Me sinto tão desconectado com o mundo que me cerca que passo parte dos meus dias imaginando e me indagando se estou seguindo o caminho certo, ou se é essa vida que eu quero pra mim, e a outra parte do meu dia, passo fazendo coisas que eu não gosto.
É impressionante como o trabalho me toma muita atenção e dedicação. Apesar de eu ter chegado em um ponto bom para o tipo de "carreira" que eu sigo agora, não me sinto contente e espero não fazer isso pelo resto da vida, mas nunca deixei de fazer meu serviço 100%. É algo que me intriga, como que alguém de mente inquieta, com valores não relacionados a dinheiro, com fome de vida, amante de viagens, consigo cumprir minhas funções plenamente e com um facilidade que poucos tem? Creio que a resposta está no dinheiro, na necessidade de prosperar na vida, na minha inquietação de querer estar sempre melhor e querer sempre ser o melhor em tudo que eu faço.
Isso me assusta. Será que eu consigo ser bom em outra "carreira"? Será que darei conta da minha faculdade e trabalho juntos? Não sei, espero que sim. Me vejo com outros olhos, diferente de como eu me via no mundo à quatros anos atrás. Sei dos meus defeitos e aprendi à conviver com eles. O mais importante, aprendi a ameniza-los, pelo menos em convivência com outras pessoas.
Algo curioso, mas que vem me consumindo por dentro nesses últimos meses é a morte dos sonhos. É a realização que entra ano e passa ano, e tudo o que você planejou para si mesmo, e para sua vida vai se tornando impossível com o passar do tempo. Já não serei piloto da Aeronáutica, já não me formarei com 23 anos, já não serei um jovem prodígio em alguma área de âmbito mundial (pois é, eu esperava muito de eu mesmo). Alguns anos atrás isso parecia tão fácil de ser alcançado, de ser conquistado. Não sei se me tornei medroso, com medo de correr atrás dos meus sonhos, ou se me veio a cabeça de que alguns sonhos não serão realizados. O que eu sei é que eu me tornei um sobrevivente, um sobrevivente realista. Às vezes realista demais até para o meu gosto.
Falando em sobrevivência, vou ficando por aqui hoje. Fazia tanto tempo que eu não escrevia, agora eu sei que devo escrever mais, passar minhas idéias pro papel e esquecer delas um pouco. Tirá-las da minha garganta e vomitá-las em um blog rs.
Abraço. Ente, sente-se e tome mais um gole. Até mais!