sábado, 25 de abril de 2015

Reflexões Passado/Futuro

Sabe, para todas as crianças, quando perguntamos "O que você quer ser quando crescer? quase todas sabem a resposta, ou tem uma ideia do que querem ser quando se tornarem adultos. Acho que nunca me perguntaram isso, e se perguntaram eu não me lembro de uma única ocasião. Mesmo se tivessem perguntado à mim algo do tipo, creio que eu não teria a resposta.

Nunca tive uma ideia fixa do que eu faria quando eu crescesse. Parece que todas as fases da minha vida eram meios para um fim. Termine o ensino fundamental. Termine o ensino médio. Tire uma nota boa no Enem. Entre para uma boa faculdade. Se forme. Arrume alguém para começar uma família. Se estabilize. Tenha filhos. Junte dinheiro. Adquira imóveis. Forme os filhos e aproveite a aposentadoria. Ah! Se fosse simples e fácil assim.

A maioria dos planos que fazemos vão por água à baixo. Muitas vezes porquê deixamos de lado as variáveis de todas as equações relativas aos nossos planos. Você tem em mente o objetivo, mas de repente se vê em uma posição na qual a sobrevivência se torna parte maior da sua vida. "E agora, José?" Acho que a resposta é obvia. Sobreviver é muito mais do que simplesmente fazer uma decisão. Quando colocamos nossos planos em perspectiva, descobrimos que nossa prioridade sempre será o conforto e a sobrevivência.

Por exemplo: entre passar 5 anos, tento male mal o que comer,, e 8 anos trabalhando, vivendo bem, mas deixando os estudos um pouco de lado, poucos de nós escolheriam a primeira opção. Por que? Pois somos pessoas ligadas ao mundo que nos cerca. Queremos profundamente ser aceitos pela sociedade. Criamos laços com amigos a tal ponto, no qual quase se iguala à uma dependência. Queremos aproveitar a faculdade, queremos ter dinheiro para tomar aquela gelada no final de semana, precisamos de ar condicionado para enfrentar o calor. E se não temos dinheiro para nada disso? Vocês afundariam a cara nos livros só tendo em mente que daqui à cinco anos sua vida "provavelmente" melhore?

Eu não afundei. Sofri pressão para gerar renda. Tive que trabalhar meu caminho pra fora dos problemas que eu tinha dentro da casa de minha mãe. "Ignorando" todos os problemas que eu tinha acabado de enfrentar naquele mesmo ano. Tive de aprender da pior forma possível a virar homem. Quantas noites de frio, fome. Se existe algo que possa fazer o mais sensato ser humano a se transformar em um animal é a fome. Agradeçam, e tenham orgulho por ter o que comer todos os dias.

Apesar do sofrimento e de todas as escolhas, ainda resta uma pergunta: "Valeu à pena?". Sim! Mesmo não tendo atingido os objetivos que eu tracei alguns anos atrás, eu cresci como pessoa e amadureci muito. Esperava que com o tempo eu esqueceria/superaria o meu passado. Três anos se passaram e eu continuo com os sentimentos iguais. "Que bosta!". Fazer o que né.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

É engraçado ser um espectador da sociedade moderna.

Todos com tanta pressa, pensando tão alto de si mesmos, como se fossem superiores a tudo e a todos. Pessoas que esquecem o que é ter uma conversa. Ser educado é muitas vezes ser metido e noutras é ter uma agenda por trás da educação. Ninguém mais lembra o que é cortesia e amor ao próximo. Pessoas que vão à igreja nos finais de semana, mas ainda olham com desprezo ou pior, prazer, quando um irmão em necessidade pede ajuda. Todo mundo querendo retribuir tudo na mesma moeda, chega a ser engraçado. Quando perguntados se se consideram pessoas boas, todos respondem que sim. Cristãos que defendem a pena de morte, e a redução da maioridade penal. Chega a ser engraçado a ironia.

Ah, como eu estou cansado disso tudo.
Amigos que sentam em uma mesa de bar, numa roda de tereré, num restaurante e a coisa mais interessante que conseguem fazer é olhar para baixo e se isolarem usando o celular.
Encontrar pessoas para ter uma conversa real é raridade. Alguém que se importe contigo e dê valor a atenção que recebe é pedir demais atualmente. Quando faço um esforço para conhecer tentar conhecer alguém, a pessoa acha que estou sendo "grudento", simplesmente por se importar, por prestar atenção e até mesmo por querer conhecê-la. Só de pensar nisso já me dá um desânimo e uma certa tristeza. Lembro da minha época de "MSN", onde esperava o dia inteiro para me conectar e poder conversar com as pessoas.

Antigamente eu juntava informação e tentava mudar um pouco a realidade a minha volta, pouco a pouco eu achei que conseguiria, mas a medida que vamos amadurecendo, descobrimos que o mundo não se importa muito com a opinião do indivíduo. Cansei de tentar convencer pessoas de que é melhor dar a outra face do que ser rude. Tudo o que fazemos cria uma corrente que um dia volta para nós mesmos, tal corrente pode ser a que te enforque ou a que te salve. É o conceito do Karma, é o velho ditado "Você colhe o que você planta". Hoje eu me tornei um cara mais passivo sobre a sociedade que me cerca, tento não expressar minha opinião de forma direta, a não ser quando perguntado. Afinal, como eu disse ali em cima, quem eu acharia para ter uma conversa real e séria.

Você sai de casa para tomar uma cerveja e só encontra mulheres com quilos e mais quilos de maquiagem, todos os homens com as mesmas em suas camisas, como se estivessem de uniforme. Se a pessoa não segue a mesma "moda", não é interessante o suficiente para ter um momento de atenção daqueles que ali estão. Festa, festa e mais festa. Enquanto os problemas do mundo continuam lá. Mulheres que só dão atenção se receberem um combo de uísque + energético em troca. Homens que sabem todos os motores de todos os carros na rua, mas se esquecem de quem votaram na última eleição. Eleitores que pedem o fim da corrupção, mas tentam passar os outros pra trás de todas as formas que encontram. Pais que dizem criar os filhos para serem pessoas boas, mas dão tablets para as crianças antes mesmo de eles saberem ler. Pastores que tentam guiar os fiéis e ensinam caridade dentro de seus carros importados de luxo. Padres que condenam gays, mas se esquecem que Jesus não perguntavam para seus seguidores suas opções sexuais, só pediam que amassem a Deus e ao próximo.

Em dias que a política nos divide, ao invés de nos juntar para buscar um futuro melhor para nosso país. Em dias no qual o dinheiro define quem nós somos e o quão interessantes parecemos aos olhos dos outros. Em dias nos quais as pessoas só olham para seus celulares ao invés de olhar para frente. Em dias nos quais a tecnologia nos afasta ao invés de nos aproximar. Em dias que 500 canais em uma tv à cabo não é sinal de diversão, e sim de tédio. Em dias como esses eu me pergunto o que está acontecendo com esse mundo. Parece que ninguém mais se importa com o destino da humanidade, ninguém mais olha para o lado e vê um semelhante, todos olham para o lado e veem um adversário em potencial.

No momento eu continuo um espectador. Tento continuar a juntar informações sobre o mundo que me cerca para que um dia eu saiba os melhores meios para mudar essa realidade. Meu teclado é minha arma, minha mente é meu escudo. Paz.


Real motivo do "Um copo de nostalgia"

Eu volto a me lembrar do porquê eu escrevo nesse blog. No começo nem eu mesmo sabia, meus amigos me falavam para começar a expressar meus pensamentos dessa forma. Antigamente eu escrevia textos e publicava-os no Facebook. Confesso que sinto falta dos "likes" que minhas palavras geravam, mas as pessoas que deveriam ler e os que realmente necessitam não possuem mais a paciência de antigamente. Falo isso, pois sou um desses, hoje se alguém escreve algo com mais de 10 linhas no Facebook eu nem leio, e acho que muitos textos ali publicados me ajudariam a levar melhor a minha vida. Com o passar do tempo, desde a criação do blog eu descobri uma triste verdade; não ficaria famoso com isso, a galera não iria pirar simplesmente porquê leu algumas coisas em um site qualquer. 
Alguns dias atrás eu finalmente saquei a objetivo desse blog. Esse é um "diário de pensamentos". Creio que esse seja o meio do qual eu possa, no futuro, ter uma visão sobre a forma que eu pensava com meus 20 anos de idade. Simples assim. E que maravilhoso será daqui a 20 anos poder ter um relance sobre o que acontecia na minha vida e como eu me sentia e pensava sobre o mundo que me rodeava. A verdadeira nostalgia se prende a isso. Engraçado que me perguntava se era mesmo um título legal para o blog, e hoje eu sei, é o título perfeito.

Um abraço para vocês e para o meu "eu" do futuro.